A ideia
deste post veio deste texto de Umberto Eco (leiam, é fundamental ~ ou não ~ para
entender a postagem). Nesse caso, o editor trabalha em uma empresa de médio
porte e faz o seu trabalho, julgando as obras que lhe foram enviadas para
analisar e escolher se têm ou não potencial para serem publicadas. Vejamos o
que ele achou dos mangás que ele analisou:
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Parece o Seu Barriga, mas é um dos maiores filósofos vivo. |
MITSURU
ADACHI
ADVENTURE BOYS
Imagino
como deve ser difícil para um mangaká como você, com vários trabalhos já
publicados em outras editoras receber uma negativa. Mas é a dura realidade.
Reconheço o talento que você apresenta para desenhar, mostrando um traço
marcante e bem característico, algo que é raro de ver hoje em dia. Mas me
explique: porque diabos resolveu fazer um mangá assim? Sua fama foi construída
com mangás de esportes como Touch, H2 e Nine, então porque fazer um mangá
adulto? E não contesto a qualidade de Adventure Boys, muito pelo contrário,
admiro a preciosidade que é este mangá, gostei muito da forma com que dividiu
as histórias em pequenas crônicas e da sutileza usada nos diálogos e no
desenvolvimento dos personagens e da história. Confesso que me emocionei no
capítulo “A escada do tempo”, que demonstra o ponto forte do mangá: a redenção
dos personagens após o envelhecimento. Porém, esta é uma série que não deverá
vender e acabará se tornando esquecida na sua enorme lista de séries já publicadas.
Olha, não sou de fazer isso, mas porque você não tenta publicá-lo na Big Comic
Original? Soube que eles andam a procura de um mangá curto como este seu.
Quando tiver um trabalho novo e mais tradicional, nos mande.
UMINO CHIKA
MARCH COMES LIKE A LION
Não
imaginava ver o nome de Umino Ichika aqui. Quando vi que você mandou um mangá
para uma editora de médio porte como a nossa pensei: “Deus existe!!!”. Mas, com
todo o respeito, você me decepcionou. Honey & Clover foi um mangá
sensacional, além da sua participação em Higashi no Éden e o mangá Spica. Sim,
sou seu fã. Porém, esse seu novo trabalho não me convenceu. E não me entenda
mal, me refiro apenas à história. O seu traço tem melhorado cada vez mais e me
arrisco a dizer que é um dos melhores da atualidade, talvez sendo inferior
apenas ao de Inio Asano. Entretanto, você mesmo deve saber que esse é um
daqueles mangás que ninguém compra, afinal é lento e não tem nenhum clima de
suspense e emoção. O leitor terminará de ler um capítulo e logo se esquecerá do
que leu, pois não tem nenhuma cena marcante ou algo assim. É claro que alguma
editora corajosa aceitará seu trabalho, e é bem provável que ele seja vencedor
de premiações importantes no Japão. Mas no momento nos não queremos uma série
assim, somos capitalistas e precisamos agradar ao público, não aos críticos.
ODA EIICHIRO
ONE PIECE
Irei
transcrever um artigo de Monteiro Lobato sobre a primeira exposição de Anita
Malfatti, em 1914:
“Há duas
espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em
conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos rirmos da vida, e
adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos
grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem gênio, é Praxíteles na
Grécia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é
Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Iorn na Suécia, é Rodin na
França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento vai engrossar a plêiade de
satélites que gravitam em torno daqueles sóis imorredouros. A outra espécie é
formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de
teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e
lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos de cansaço e do sadismo
de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao
nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz
de escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.”
O texto de
Monteiro Lobato cabe muito bem sobre a sua obra. One Piece vê anormalmente a
natureza, enquadra os personagens de maneira quase grosseira e mantém um dos traços
mais bisonhos que já vi em um mangá. Não aceitamos. Ninguém vai aceitar. Logo,
senhor Oda, modifique seu desenho e seu modo distorcido de criar uma história,
pois se depender de obras como esta, morrerá de fome.
HIRO MASHIMA
FAIRY TAIL
Confesso
que já não era fã do seu trabalho, e você não me decepcionou com Fairy Tail. Mais
um mangá ruim. E sabe, até que tem uns pontos positivos, como a linearidade da
história e as cenas de ação, mas isso é insignificante quando analisados os
personagens e as perspectivas de futuro. É legal colocar uns peitos grandes, o
povo adora isso. Mas é um pouco exagerado deixar todos os personagens femininos
com os seios avantajados. TODOS. Ecchi é shounen é uma combinação perigosa que,
quando mal feita, ajuda a afundar um mangá. O protagonista Natsu é legal, mas e
o resto? Aparentemente Lucy vai conquistar todas as chaves celestiais e se
tornará apenas um estorvo na história. E quanto ao Gray? O passado dele é
legal, os golpes são legais, mas e aquela mania de tirar a roupa? Sério mesmo
que você acha engraçado? Roupa é algo importante em um mangá para jovens,
afinal o mercado de cosplay ajuda muito a divulgar o nome do mangá e,
principalmente, o da editora. Alguém vai fazer cosplay de um personagem que só usa calças? Sinceramente, este parece mais uma cópia de um outro mangá que
chegou aqui, um tal de One Piece. A diferença é que Fairy Tail não é bizarro
como o mangá do senhor Oda, o que o torna mais do mesmo.
ISE KATSURA/YOKOTA TAKUMA
ONANI
MASTER KUROSAWA
Li
a sinopse: “Garoto que se masturba no banheiro feminino é descoberto e começa a
ser chantageado por uma colega de classe”. Pensei: “Uhull, vai ter peitos,
piadas pervertidas e vai vender mais que maconha na classe média. Um mangá
perfeito comercialmente”. Li o mangá. Pensei: “É legal, mas não vai fazer
sucesso nem com reza. Garotos querem peitos, não uma discussão filosófica sobre
redenção, parafilías e amor na juventude.” Tente em outra editora
Possivelmente baseado em fatos reais
AKIRA
TORIYAMA
DRAGON BALL
Uma
história onde o protagonista é tem um rabo de macaco (e que aparentemente se
torna um macaco como estágio máximo de força), um dragão que realiza qualquer
desejo, esferas estreladas, viagens interplanetárias, telecinése, tele
transporte, nuvens que são usadas como automóveis e personagens surreais. Ta aí
o cara que deve ter inspirado o tal Eiichiro Oda a fazer mangá. Caro Toriyama,
caso essa sua ode a escrotidão seja lançada em alguma revista e se tornar um
sucesso, eu peço demissão e passo a vender pipoca e algodão doce na praça.
Preciso dizer o fim do editor?
Preciso dizer o fim do editor?
"One Piece vê anormalmente a natureza, enquadra os personagens de maneira quase grosseira e mantém um dos traços mais bisonhos que já vi em um mangá. Não aceitamos. Ninguém vai aceitar. Logo, senhor Oda, modifique seu desenho e seu modo distorcido de criar uma história, pois se depender de obras como esta, morrerá de fome".
ResponderExcluirRi horrores dessa parte LoL. Achei alguém que também não se convenceu!
Bem que essa ideia poderia rolar na blogosfera como uma espécie de meme. Farei isso no meu blog.Só com animês,claro.
Excluirrs, se fizer me avise para eu dar uma conferida, ficaria legal um com animes. Valeu pelos comentários!
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